segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Editorial

Editorial 19/02/2013

Resíduos sólidos em Fortaleza: como coletar e reciclar

O problema é que só existem duas usinas de reciclagem de entulho: em Fortaleza e Itaitinga

Executar o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, exigido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, bem como fazer valer o artigo 550 do Código de Obras e Posturas do Município, que proíbe depositar lixo e detritos em geral nas calçadas e vias públicas é um desafio para Fortaleza, que apresenta uma média de geração de resíduos sólidos maior do que a média nacional: 1,9 quilo de lixo por habitante/dia, contra 1,2 quilo de lixo por habitante/dia, no conjunto do País.

O incrível é que 35% desse volume são formados por entulho puro proveniente da construção civil, que poderia ser reciclado e receber um valor agregado e devolvido ao mercado. No entanto, é desperdiçado depois de ir parar em aterros sanitários.


A política correta deveria ser a prevenção, impedindo que os restos de material de construção sejam depositados em calçadas, praças e ruas. Se isso acontece, imediatamente se forma uma rampa para depósito de todo tipo de lixo. É o que comumente acontece, como constatou uma reportagem do O POVO publicada, ontem, depois de uma pequena incursão em algumas ruas flagrou mais de 30 pontos de entulho. Isso, apesar de uma legislação municipal determinar que quem produz o entulho é responsável pelo seu descarte final, isto é, pelo seu encaminhamento ao aterro sanitário.


Estamos, portanto, diante de dois problemas: a) como criar a melhor forma de aproveitar economicamente esse material que poderia dar um retorno economicamente compensatório; b) como conscientizar a população para que não deposite os detritos nos espaços públicos.


No primeiro caso, a própria destinação aos aterros sanitários está ameaçada pela desativação progressiva desse tipo de depósito de detritos. A alternativa impositiva é reciclar. O problema é que só existem duas usinas de reciclagem de entulho: uma no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, e outra no município de Itaitinga, a 25 quilômetros da Capital. Ambas só recebem conjuntamente metade do entulho gerado pela construção civil, e reciclam menos ainda: 5% do total recebido.


O desafio está posto e tem de ter uma resposta rápida, pois o quadro está se complicando cada vez mais. Quanto à população, é preciso envolver suas entidades comunitárias no processo educativo de coleta.


O Povo, Fortaleza 18/02/2013
Reportagem

O que fazer com o entulho da reforma ou construção?

Nada de calçadas, terrenos baldios ou carroceiro. O entulho deve ter um destino certo: usina de reciclagem ou aterro sanitário. Abandonar o lixo por aí, além de render multa, resulta em prejuízos ambientais e sanitários

Tu és responsável por todo entulho que produzes. A frase não é mandamento bíblico, mas dever de todo cidadão que resolver reformar ou construir alguma coisa. Dever previsto em lei e sob pena de multa se desrespeitado. Mas o tanto de entulho que cobre calçadas e calçadas desta Cidade só revela que ou a população não sabe o que fazer com o entulho gerado ou o problema é de educação mesmo. Você sabe o que fazer com o lixo da reforma da sua casa ou comércio?


O POVO avistou pelo menos 30 pontos de entulho em passeio pelos bairros Parque Araxá, Fátima, Porangabuçu, Monte Castelo, Joaquim Távora e Jacarecanga. Não raro podas de árvores, colchões, restos de móveis e sofás estacionavam junto. “Já foram muitas reclamações feitas à Prefeitura (de Fortaleza). Já veio fiscal, botaram placa proibindo, mas não tem jeito”, conta o comerciante Kléber Menezes, 44, na rua Carlos Gomes, no Joaquim Távora.


Perto, na rua Assunção, o pedreiro lançava direto na calçada os pedaços de reboco e tijolos arrancados do apartamento. Detalhe: ele estava no primeiro andar do prédio e jogava o material sem se preocupar com os pedestres que embaixo passavam. “Um perigo isso! O povo faz as coisas de qualquer jeito aqui, viu?”, reclamava a mulher que passava com o filho pela rua, evitando a “perigosa” calçada.


Lei


Uma lei municipal prevê multa para quem coloca lixo em local inadequado. Segundo o artigo 550 do Código de Obras e Posturas do Município, é proibido depositar seja nas ruas seja nas calçadas, praças, canais ou canteiros “lixo, resíduos, detritos, animais mortos, material de construção e entulhos, mobiliário usado, folhagem, material de podaçõe” etc. A multa em caso de descumprimento se inicia em R$ 57,67 e é multiplicada por até 10 vezes, além de ser preciso reparar o erro.


Apesar da lei, são recolhidas, em média, 11 mil toneladas de entulho por mês, das ruas e calçadas de Fortaleza. Quem diz é o superintendente da Ecofor Ambiental, João Júlio de Holanda. A empresa é a concessionária da Prefeitura para a gestão de resíduos sólidos urbanos da cidade. “Se o gerador produzir mais de 100 litros de entulho por dia, é obrigação dele contratar uma empresa privada para recolher o entulho ou mesmo a Emlurb (Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização de Fortaleza), que tem esse serviço, mas é pago”, afirma.


Abaixo desse volume de 100 litros, o gerador do entulho pode separá-lo em duas partes de 50 litros dentro de sacos de cimento, colocar na calçada no dia da coleta de lixo domiciliar para que o caminhão recolha. “Não chame carroceiro. Ele não sabe o destino correto desse entulho e despacha em qualquer lugar”, alerta o superintendente. Segundo ele, o destino final do entulho deve ser a usina de reciclagem ou o Aterro Sanitário Metropolitano de Caucaia.


O titular da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, João Pupo, avalia que o entulho é um grave problema na Cidade. “Um ponto de entulho rapidamente vira ponto de lixo. Todo mundo sabe as consequências sanitárias disso. Quando chove então é pior ainda”, diz. O secretário garante que está iniciando trabalho de fiscalização mais ostensiva para saber a origem desse lixo e punir. “Contamos com a população também para que denuncie. O prejuízo do lixo na rua é para toda a sociedade”, finaliza.


ENTENDA A NOTÍCIA


No último dia 6 de dezembro, a Prefeitura divulgou o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Exigido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, conduz prefeitos e cidadãos à “redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos”.


1 – Compare o editorial com a reportagem citada por ele.
a)      Em que parágrafo do editorial há uma referência à reportagem?
b)      Que informações da reportagem são retomadas pelo editorial?
c)      Que dados dos dois textos permitem supor que o assunto abordado é importante para os leitores do jornal?

2 – Releia o primeiro parágrafo do editorial.
a)      A reportagem fornece informações que ajudam o leitor a compreender esse parágrafo. Explique.
b)      Segundo o editorial, pôr em prática as políticas públicas de tratamento dos resíduos sólidos é um desafio para a cidade de Fortaleza. Que argumento justifica essa afirmação?

3 – Releia.

I.                    Abaixo desse volume de 100 litros, o gerador do entulho pode separá-lo em duas partes de 50 litros dentro de sacos de cimento [...].
II.                  A política correta deveria ser a prevenção, impedindo que os restos de material de construção sejam depositados em calçadas, praças e ruas.

a)      Qual das frases acima faz parte da reportagem? E do editorial?
b)      Seria possível descobrir isso sem precisar voltar aos textos? Por quê?

4 – Releia o título e o subtítulo do editorial.

a)      O título esclarece a posição assumida pelo editorial quanto ao tratamento dos resíduos sólidos? Explique.
b)      A necessidade do tratamento de resíduos sólidos pela reciclagem é  um consenso social, isto é, uma ideia aceita por todos. Que contraste entre essa ideia e a realidade é expresso pelo subtítulo?

5 – O editorial analisa dois problemas relacionados aos resíduos sólidos.
a)      Que problemas são esses? Em que parágrafo são apresentados?
b)      Em sua opinião, que imagem o jornal transmite ao leitor, ao se dizer a favor da reciclagem do entulho produzido na construção civil?

6 – Qual é a tese defendida pelo editorial?

7 – Releia.

     O incrível é que 35% desse volume são formados por entulho puro proveniente da construção civil, que poderia ser reciclado e receber um valor agregado e devolvido ao mercado. No entanto, é desperdiçado depois de ir parar em aterros sanitários.

     O editorial é contrário ao mau aproveitamento econômico dos detritos. Que palavras do trecho orientam o leitor a perceber isso? Explique.

8 – O interlocutor direto do editorial é o leitor do jornal. Porém, pela própria natureza do tema tratado, há também um interlocutor implícito. Identifique-o e explique sua resposta.

9 – Palavras como desafio e problema fazem o leitor acreditar que as soluções propostas pelo editorial são simples ou complexas? Justifique.

10 – O editorial culpa de modo explícito a administração municipal pela ausência de mais usinas de reciclagem? Explique sua resposta.


sábado, 14 de outubro de 2017

PARNASIANISMO E SIMBOLISMO

PARNASIANISMO

O Parnasianismo faz parte das Escolas Realistas. Os três estilos – Parnasianismo, Realismo e Naturalismo – assemelham-se enquanto busca de superação do velho modelo romântico, que tende a privilegiar a fantasia criadora, a emoção e a subjetividade, no processo de criação artística. Tais elementos, no entanto, já não condiziam com a evolução cientificista e tecnicista que caracterizou a 2ª metade do século XIX, por isso as Escolas Realistas pregaram a racionalidade, a objetividade e a precisão arquitetônica como critérios fundamentais para o fazer artístico.  Este fazer adquiriu um sentido mais rigoroso de trabalho intelectual: o cuidado com a linguagem, a preocupação com a forma, a lapidação e o refinamento do texto.
Nesse sentido, o Parnasianismo, excessivamente comprometido com a busca de perfeição técnica da obra de arte, é o estilo que melhor exemplifica a ideia de literatura como trabalho de linguagem, que será explorada pelos modernistas ao longo do século XX.
Por outro lado, a ênfase formalista do estilo parnasiano levou-o a desprezar o assunto em função da supervalorização da técnica e a separar o sujeito criador de seu objeto criado, o texto, num objetivismo sem precedentes em toda a história da literatura. Em decorrência disso, a prática literária parnasiana, totalmente concentrada na produção poética, tendeu a alienar-se da vida, a refugiar-se no mundo clássico, cujos critérios artísticos adotou, tornando-se academicista, elitista, fechada em seus domínios exclusivamente estéticos.
Enquanto o Realismo e o Naturalismo são voltados para a crítica social, a contestação dos valores burgueses, a estética parnasiana concentrou-se no ideal da arte pela arte, ou seja, valorizou sobretudo o seu próprio mundo, em detrimento da realidade exterior.

CARACTERÍSTICAS DO PARNASIANISMO

A busca de perfeição formal, de acordo com as regras clássicas de criação poética, fez com que os poemas parnasianos primassem pelo rigor técnico. Suas características principais são:
a)      a preferência pelas formas poéticas fixas e regulares, como o soneto, com esquemas métricos, rítmicos e rímicos sofisticados e tradicionalistas;
b)      o purismo e o preciosismo vocabular e linguístico, com o predomínio de termos eruditos, raros e visando à máxima precisão; e também de construções sintáticas e poéticas refinadas;
c)       a tendência descritivista, buscando o máximo de objetividade na elaboração do poema e assim separando o sujeito criador do objeto criado;
d)      o destaque ao erotismo e à sensualidade feminina;
e)      as referências à mitologia greco-latina;
f)       o esteticismo, a depuração formal, o ideal da “arte pela arte”;
g)      a visão da obra como resultado do trabalho, do esforço do artista, que se coloca como um técnico do verso perfeito.

PARNASIANISO NO BRASIL
Início: 1882 – Publicação do livro Fanfarras, de Teófilo Dias.
Término: 1893 – Início do Simbolismo no Brasil.

O Parnasianismo surgiu no Brasil ligado ao processo de consolidação da vida literária no país. Ao longo dessa década, uma geração de intelectuais, influenciados por filosofias materialistas, fortaleceu a oficialização do papel do escritor, em centros irradiadores das ideias modernas. Uma deles era a Faculdade de Direito do Recife, liderada pelo pensador e ensaísta Tobias Barreto, que trabalhava com a cultura alemã, o direito moderno e o então chamado modernismo filosófico-científico.
Na medida em que se caracteriza pelo academicismo e pela formalidade, o estilo parnasiano logo ocupou o espaço da literatura oficial, da manifestação literária representativa da “ordem vigente” brasileira, contra a qual se insurgiam os modernistas, nas primeiras décadas do século XX.
A famosa tríade parnasiana brasileira compõe-se dos poetas Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. Além desses nomes, Vicente de Carvalho, que ficou conhecido como o “poeta do mar”, e Francisca Júlia, considerada a voz parnasiana mais próxima da impassibilidade pretendida pelos defensores do estilo.

OLAVO BILAC (1865 – 1918)

Nasceu no Rio de Janeiro, onde veio a falecer. Estudou Medicina e Direito, mas não concluiu nenhum dos dois cursos. Trabalhou como jornalista, funcionário público e inspetor escolar, dedicando-se amplamente ao ensino: traduziu e escreveu versos infantis, foi autor de livros didáticos, organizou antologias escolares, fez campanhas pela instrução primária, pela cultura física, pelo serviço militar obrigatório e outras, de caráter nacionalista. Autor da letra do “Hino à Bandeira”, a vida toda escreveu, em prosa e verso, para a imprensa, tendo sido um dos cronistas mais expressivos e polêmicos de seu tempo.
Estreou como poeta em 1888, com a obra Poesias, que foi muito bem recebida pelo público. Atingiu em suas criações alguns dos principais objetivos parnasianos: a perfeição formal, a habilidade na versificação, a linguagem pura e preciosa e o descritivismo, muitas vezes fortemente sensual. Sua poesia é superficial como visão do homem, possivelmente por ater-se à “camada sensorial das cores, dos sons, das combinações plásticas, fazendo as próprias ideias e sentimentos se transformarem em meras palavras bem ordenadas.”
Além desse aspecto parnasiano, sua obra apresenta tonalidades românticas. Em Tarde, o último livro, publicado um ano após a sua morte, um tom melancólico e de meditação sobre o sentido da vida e da morte revela a dimensão espiritualista, filosofante, deste que foi eleito, em 1907, num concurso realizado pela revista Fon-Fon, “o príncipe dos poetas brasileiros”.

Fragmento de “Profissão de fé”
Olavo Bilac


Invejo o ourives quando escrevo:
     Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto-relevo
     Faz de uma flor.
Imito-o. E, pois, nem de Carrara
     A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
     O ônix prefiro.
Por isso, corre, por servir-me,
     Sobre o papel
A pena, como em prata firme
     Corre o cinzel.
(...)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
     Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
     Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
     Sem um defeito.
(...)
Assim procedo. Minha pena
     Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
     Serena Forma!

1 – Do ponto de vista formal, o poema caracteriza-se pela regularidade métrica e rímica, obedecendo aos critérios clássicos de beleza poética, seguidos pelos parnasianos. Justifique essa afirmação, mostrando o tipo de estrutura métrica e rímica que possui.
2 – Na 1ª estrofe, desenvolve-se uma comparação que nos permite perceber a extrema importância da forma, para a poesia parnasiana. De que comparação se trata?
3 – Os elementos estilísticos da poesia parnasiana destacados pela comparação citada referem-se à matéria-prima do trabalho – a linguagem – e também ao modo de executá-lo. Que passagem da 1ª estrofe pode ser relacionada com a precisão, a preocupação com os detalhes, típicas desse estilo?
4 – Indique a estrofe que sintetiza o ideal normativo e esteticista do estilo parnasiano, deixando subentendido o sacrifício da dimensão do conteúdo do poema.

ALBERTO DE OLIVEIRA (1859 – 1937)

Considerado o poeta parnasiano mais disciplinado, mais apegado às regras e às características específicas do estilo, estreou com Canções românticas, livro romântico que antecipa sua adesão ao Parnasianismo. Depois publicou Meridionais e Versos e rimas, estes já claramente parnasianos.

RAIMUNDO CORREIA (1860 – 1911)

Autor de uma poesia filosofante, pessimista, que tem por tema fundamental a passagem do tempo, a transitoriedade da vida. Sinfonias constitui o livro com o qual se firmou como poeta parnasiano, realizando a poesia descritiva típica desse estilo, também presente em Versos e versões e Aleluias.

SIMBOLISMO

Movimento essencialmente poético do fim do século XIX representa uma ruptura artística radical com a mentalidade cultural do Realismo-Naturalismo, buscando fundamentalmente retomar o primado das dimensões não racionais da existência.
Redescobre e redimensiona a subjetividade, o sentimento, a imaginação, a espiritualidade; busca desvendar o subconsciente e o inconsciente nas relações misteriosas e transcendentes do sujeito humano consigo próprio e com o mundo.
Reagindo contra o pensamento científico e filosófico dominante na segunda metade do século XIX, as manifestações artísticas simbolistas põem em xeque as certezas doutrinárias.
Em termos sociais, políticos e econômicos, a burguesia industrial, após algum tempo de progresso avassalador, desgasta-se com as disputas colonialistas, que evoluem em direção à Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918).
Na Rússia, com a Revolução de 1917 surgem novas relações de poder, tenta-se pela primeira vez a construção de uma sociedade socialista.
O surgimento desse estilo por um lado reflete a grande crise dos valores racionalistas da civilização burguesa e por outro inicia a criação de novas propostas estéticas precursoras da arte da modernidade.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO SIMBOLISMO

Com o Simbolismo, inicia-se um novo campo na imaginação poética: as dimensões da psique humana exploradas pelos românticos – a sensibilidade, a imaginação criadora, a intuição, o sentimento; numa palavra, a subjetividade – ampliam-se com a exploração das imagens subconscientes e inconscientes.
Principais características:
a)      sugere em vez de descrever; simboliza em vez de nomear;
b)      redescobre a subjetividade, o sentimento, a imaginação, a sensualidade e a espiritualidade;
c)       explora o subconsciente e o inconsciente;
d)      usa predominantemente imagens sensoriais e metafísicas;
e)      prioriza a musicalidade, com aliterações, assonâncias, paralelismos, repetições;
f)       prefere as sinestesias, metáforas, prosopopeias e analogias como figuras de linguagem;
g)      utiliza letras maiúsculas em substantivos comuns, para torna-los absolutos;
h)      expressa uma religiosidade não convencional; pelo desregramento dos sentidos, da sexualidade, das emoções, de delírios e alucinações;
i)        busca o misterioso, o oculto, o vago, o caótico, o alógico, o anárquico, o indefinível e o inexprimível;
j)        considera o poeta como vidente de realidades transcendentais e a poesia como expressão de vidência mediúnica.

SIMBOLISMO EM PORTUGAL

 Com a publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro, em 1890, inicia-se oficialmente o Simbolismo português, durando até 1915, época do surgimento da geração Orpheu, que desencadeia a revolução modernista no país.
 Conhecidos como adeptos do Nefelibatismo, e portanto como nefelibatas (pessoas que andam com a cabeça nas nuvens), os poetas simbolistas portugueses vivenciam um momento múltiplo e vário, de intensa agitação social, política, cultural e artística. Com o episódio do Ultimatum inglês, aceleram-se as manifestações nacionalistas e republicanas, que culminarão com a proclamação da República, em 1910.
Em termos literários, as novas ideias simbolistas, decadentistas, nefelibatas e cosmopolitas conviveram com o Realismo e o Naturalismo, com formas retardatárias do Romantismo e com o Neolusitanismo que tendia à revalorização das tradições nacionais.
Os principais autores desse estilo em Portugal seguem linhas diversas, que vão do esteticismo de Eugênio de Castro ao nacionalismo de Antônio Nobre, até atingirem maioridade estilística com Camilo Pessanha: o mais importante poeta simbolista português.

PRINCIPAIS AUTORES PORTUGUESES

Eugênio de Castro, um esteta mais neoclássico e parnasiano que propriamente simbolista, notabilizou-se com Oaristos, obra que inicia oficialmente o movimento em Portugal, sem, no entanto, constituir trabalho expressivo, do ponto de vista da estética simbolista propriamente dita.
Antônio Nobre, que  escreveu , publicado em  1892, aproxima-se do Simbolismo principalmente por suas características românticas: tendência à solidão irreversível, doentia e narcisista, o tédio, a melancolia, o saudosismo, o nacionalismo e a postura ambígua perante a morte, pela qual sente simultaneamente desejo e aversão, atração e repulsa. Foi um dos precursores da poesia moderna, por seu natural inconformismo, por sua incapacidade de aderir às regras e normas sociais, por um pessimismo que o derrotava perante a realidade, mas ao mesmo tempo implicava uma hipersensibilidade lírica e poética.



Soneto
Antônio Nobre

Ó Virgens que passais, ao sol-poente.
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente
Que me transporte ao meu perdido Lar.

 Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar!

 Cantai! cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu Lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas

 Que eu vi morrer num sonho, como um ai...
O suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me nessa voz... Cantai!

1 – Que características do Simbolismo percebemos na expressão “ao meu perdido Lar”?
2 – Como o sujeito lírico vislumbra o seu “transporte” a esse perdido Lar? Trata-se de um transporte real ou imaginário?
3 – Na segunda estrofe, quais são os objetos do canto das Virgens e o que representam para o sujeito lírico?
4 – Copie o verso da terceira estrofe em que melhor se perceba a musicalidade, presente em todo o poema.
5 – Que recursos sonoros essencialmente simbolistas do verso transcrito são responsáveis por sua musicalidade?
6 – Nas duas estrofes finais, como percebemos as seguintes características do poeta:
a)      a recusa da realidade?
b)      o desejo de evasão, a evocação da morte?

CAMILO PESSANHA (1867 – 1926)

Autor de um único livro, Clepsidra, publicado em 1922, Camilo Pessanha exerceu grande influência, particularmente na geração Orpheu, que iniciou o Modernismo em Portugal.
Considerado um poeta de leitura pouco acessível para o grande público, um criador que inspirou outros criadores, passou grande parte da vida em Macau (China), onde conheceu o ópio e conviveu com a poesia chinesa, de que foi tradutor para o português.
Seus poemas caracterizam-se por um forte poder de sugestão e ritmo, apresentando imagens estranhas, insólitas, não lineares, ou seja, repletas de rupturas e cortes – elementos tipicamente simbolistas.
Neles predomina o tema do estranhamento entre o eu e o corpo; o eu e a existência e o mundo, cujos elementos mais familiares ao mesmo tempo tornam-se esquivos, perante uma sensibilidade poética fina, mas na qual não se encontram o derramamento emocional, a subjetividade egocêntrica do Romantismo.


Interrogação
Camilo Pessanha

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. 

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos. 

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno. 

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca. 

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
1 – Nesse texto temos um expressivo exemplo de poema lírico-amoroso não romântico, não sentimental. Mencione duas de suas estrofes que demonstrem mais claramente essa afirmação.
2 – Apesar de o título do poema ser “interrogação”, o que predomina no sujeito lírico? A negação, a dúvida ou a confirmação do sentimento?
3 – Qual a principal característica dessa declaração não convencional de amor, tendo em vista que se trata de um poema simbolista?

SIMBOLISMO NO BRASIL

Iniciado oficialmente em 1893, com a publicação de Missal (prosa poética) e Broquéis, de Cruz e Sousa, considerado o maior representante do movimento no país, ao lado de Alphonsus de Guimaraens, o Simbolismo brasileiro, segundo alguns autores, não foi tão relevante quanto o europeu. Termina em 1902, com a publicação de Os sertões, de Euclides da Cunha, que inicia o Pré-Modernismo.

JOÃO DA CRUZ E SOUSA (1861 – 1898)

Conhecido como o “Cisne Negro” de nosso Simbolismo, procurou na arte da transfiguração da dor de viver e de enfrentar os duros problemas decorrentes da discriminação racial e social.
Era negro e filho de escravos. Nasceu em Desterro (antiga Florianópolis), e faleceu aos 37 anos, devido à doença que lhe marcou a vida – a tuberculose. Enquanto poeta, permaneceu incompreendido pela crítica, só tendo seu valor reconhecido após a morte.
Com o passar do tempo, foi considerado como o grande mestre de nosso Simbolismo, pela dimensão cósmica de sua obra, pela presença nela dos pobres e deserdados, pela grandeza da visão transcendental com que procura poeticamente redimir as limitações da condição humana, transfigurando para uma dimensão metafísica a Dor, a Morte, o Mistério, o Inferno e o Infinito, alguns dos grandes temas aos quais se dedicou.

Cavador do infinito
Cruz e Sousa

Com a lâmpada do Sonho desce aflito
E sobe aos mundos mais imponderáveis,
Vai abafando as queixas implacáveis,
Da alma o profundo e soluçado grito.

Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito
Sente, em redor, nos astros inefáveis.
Cava nas fundas eras insondáveis
O cavador do trágico Infinito.

E quanto mais pelo Infinito cava
mais o Infinito se transforma em lava
E o cavador se perde nas distâncias...

Alto levanta a lâmpada do Sonho.
E como seu vulto pálido e tristonho
Cava os abismos das eternas ânsias!

1 – Qual o significado da metáfora “lâmpada do Sonho”?
2 –Embora se utilize da “lâmpada do Sonho”, do “soluçado grito”, o poeta simbolista não está imune aos sentimentos fortes, às paixões devastadoras. Escolha expressões do texto que comprovem essa afirmação.
3 – Há uma antítese na terceira estrofe que sintetiza a preocupação do sujeito lírico, Qual?

ALPHONSUS DE GUIMARAENS (1870 – 1921)

Pseudônimo literário de Afonso Henriques da Costa Guimarães, nascido de uma família de intelectuais de Ouro Preto e que veio a falecer na cidade mineira de Mariana.
Tendo Cruz e Sousa e Verlaine como seus grandes mestres, Alphonsus de Guimaraens é um poeta requintado, cuja produção foi marcada, em grande parte, pela morte prematura da amada – Constância -, musa inspiradora de um lirismo como fortes traços religiosos e caracterizado por uma musicalidade erudita.
Considerada como uma espécie de “Anjo”, imagem mediadora entre a divindade e o homem que por ela supera o seu medo do cosmos e seu horror ao pecado, Constância constitui o fio condutor das visões oníricas, das imagens ancestrais, individuais e coletivas, que perpassam toda a obra do poeta.

Ismália
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

1 – Identifique alguns elementos responsáveis pela intensa musicalidade que caracteriza o poema.
2 – Quais são os desejos de Ismália e o que representam?
3 – Na quarta estrofe, o que acontece com Ismália?
a)      do ponto de vista de uma visão racional da existência?

b)      do ponto de vista de uma visão simbolista da existência?

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Aos pais e responsáveis

4º bimestre




Trabalhos de compensação de ausências - entregar até 17/11/17

Prova de literatura (Parnasianismo, Simbolismo e o livro "O cortiço"): de 21/11 a 24/11