sábado, 3 de fevereiro de 2018

REVISÃO 2 - EXERCÍCIOS

Eu cantarei de amor tão docemente
Luís de Camões

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

1 – Qual o número de sílabas métricas dos versos do soneto?

2 – Utilizando letras, faça o esquema das rimas do soneto.

3 – O tema deste soneto é a própria poesia lírica amorosa.
a)    Primeira estrofe: Qual é o propósito anunciado pelo sujeito lírico?
b)    Segunda estrofe: Enumerando as características com que o amor será descrito em seu canto, o poeta utiliza dois paradoxos. Identifique-os.

4 – Nos dois tercetos, o poeta diz como será, em seu canto, a descrição da mulher amada.
a)    Como ele vê a mulher: de modo realista ou idealizado?
b)    Qual a principal característica da mulher?
c)    O poeta diz que conseguirá descrever apenas parcialmente o comportamento honesto e recatado de sua amada. No último terceto ele idealiza também a sua beleza física (o rosto). Ele se julga capaz de retratá-la? Por quê?



Cantiga
Luís de Camões
               
a este moto alheio:
Menina dos olhos verdes,
Por que me não vedes?

Voltas

Eles verdes são,
e têm por usança
na cor, esperança
e nas obras, não.
Vossa condição
não é d'olhos verdes,
porque me não vedes.

[...]

Haviam de ser,
porque possa vê-los,
que uns olhos tão belos
não se hão-de esconder;
mas fazeis-me crer
que já não são verdes,
porque me não vedes.

Verdes não o são
no que alcanço deles;
verdes são aqueles
que esperança dão.
Se na condição
está serem verdes,
porque me não vedes? 

Sobre a cantiga, responda:
1 – Em qual medida foram compostos os seus versos?


Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei por quê. 

1 – Faça a escansão do primeiro verso.
2 – A primeira estrofe é um desafio ao Amor. Qual o argumento utilizado pelo sujeito lírico para explicar a impossibilidade de sofrer mais?
3 – A segunda estrofe exprime a perplexidade do sujeito lírico diante do absurdo de sua situação: a esperança de não sofrer mais, por não ter mais esperança. Qual é o paradoxo com que ele exprime essa situação absurda?
4 – No contexto do poema, o que o “lenho”, ou navio, perdido representa?
5 – É grande a intensidade emocional deste soneto. Camões equilibra a expressão do desespero amoroso com o raciocínio (o Classicismo procura o equilíbrio entre razão e emoção), desenvolvendo um discurso em tese e antítese.
a)    Resuma a tese apresentada nos quartetos.
b)    A antítese começa com a conjunção adversativa “mas”. Resuma a contradição apresentada no primeiro terceto.
c)    O sujeito lírico conclui confessando sua incapacidade de compreender o processo amoroso. Copie os versos que melhor exprimem a ideia de que o amor é um sentimento contraditório e incompreensível.


Nenhum comentário:

Postar um comentário