sábado, 3 de fevereiro de 2018

SUBSTANTIVOS

     Substantivos são palavras que dão nomes a seres reais ou imaginários, lugares, qualidades, ações e sentimentos, ou seja, a tudo o que tem existência concreta ou abstrata.

CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS

Substantivos simples – apresentam um só radical em sua estrutura: cidade, presos, ave, água, olhos.
Substantivos compostos – são formados por mais de um radical em sua estrutura: pombo-correio, planalto, cana-de-açúcar.
Substantivos primitivos – são aqueles que dão origem a outras palavras, ou seja, não provêm de nenhum outro radical da língua: livro, cachorro, corpo.
Substantivos derivados – são formados de outros radicais da língua: chaleira (de chá), cantiga (de canto).
Substantivos comuns – referem-se, de modo geral, a qualquer ser de uma mesma espécie: pessoa, empresário, trabalho.
Substantivos próprios – designam determinado ser entre outros da mesma espécie, de maneira individual ou particular. São escritos com inicial maiúscula: Sorocaba, Brasil, José.
Substantivos concretos – nomeiam seres com existência própria, ou seja, que não dependem de outros para existir. Esses seres podem ser animados ou inanimados, reais ou imaginários, tais como criaturas fantásticas ou divindades: ave, fada, estrelas.
Substantivos abstratos – nomeiam ações, estados, qualidades e sentimentos que não têm existência própria, isto é, só existem em função de outro ser: bondade, confiança, lembrança.
Substantivos coletivos – referem-se a um conjunto de seres da mesma espécie: elenco (atores), acervo (obras artísticas), fauna (animais de uma região), enxoval (roupas), molho (chaves), antologia (textos selecionados).

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS

Flexão de gênero

     Em geral, a flexão de gênero em português é feita com a troca de o por a, ou com o acréscimo da vogal a no final da palavra: cozinheiro – cozinheira, doutor – doutora.
     Consideram-se masculinos os substantivos aos quais é possível antepor os artigos o ou um e as formas pronominais meu, teu, seu: o teatro, um cafezinho, meu pé.
     São femininos os substantivos diante dos quais é possível empregar os artigos a ou uma e as formas pronominais minha, tua, sua: a camisa, uma geladeira, sua freguesa.
     Nem sempre a terminação o ou a indica gênero masculino ou feminino: o grama, o telefonema.
     Não se deve confundir o gênero da palavra com o sexo do ser, porque todos os substantivos possuem gênero, quer se refiram a seres, objetos ou coisas: o indivíduo, o remédio, a pessoa, a música.

Substantivos biformes
     Chamam-se biformes os substantivos que apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino.
ator – atriz
maestro – maestrina
genro – nora

Substantivos uniformes
     São os que apresentam uma única forma para os dois gêneros.
a criança
o cônjuge
o/a gerente

     Os substantivos uniformes classificam-se em:

Epicenos
     Designam alguns animais e plantas, e são invariáveis. Diferenciam-se o sexo pelo emprego da palavra macho ou fêmea.
A borboleta macho/ a borboleta fêmea
Sobrecomuns
     Referem-se a seres humanos. É pelo contexto em que o substantivo aparece que se sabe qual o gênero do indivíduo. Caso o contexto não permita isso, pode-se determinar a variação de gênero usando-se as expressões do sexo masculino ou do sexo feminino.
a criança
o indivíduo

Comuns de dois gêneros
     Admitem a mesma forma para o masculino e para o feminino. Para diferenciar seu gênero, colocamos antes ou depois deles um artigo, pronome adjetivo ou adjetivo: o/a jornalista, um/uma paciente.

MUDANÇA DE GÊNERO E DE SIGNIFICADO

     Há substantivos que mudam de sentido quando se troca o gênero. São chamados de substantivos de gênero aparente.
o cisma (separação)      a cisma (suspeita)
o grama (unidade de medida)    a grama (relva)

SUBSTANTIVOS DE GÊNERO VACILANTE

     Certos substantivos oferecem dúvida quanto ao gênero.
     São masculinos: o aneurisma, o apêndice, o eclipse, o dó.
     São femininos: a derme, a cal, a alface, a dinamite.
     São masculinos e femininos: o/a diabetes, o/a sabiá, o/a suéter, o/a personagem.

FLEXÃO DE NÚMERO

Plural dos substantivos simples
 A - Acrescenta-se –s aos substantivos terminados em vogal e ditongos crescentes ou decrescentes: maçã – maçãs, prédio – prédios.
     B - Acrescenta-se –s aos substantivos terminados em –n: líquen – liquens, pólen – polens. Admitem-se, no plural, as formas abdômenes, líquenes, hífenes e gérmenes.
     C - Aos substantivos terminados em –r, -s ou –z, acrescenta-se –es: açúcar – açúcares, radar – radares. Alguns substantivos terminados em –r mudam sua sílaba tônica no plural: júnior – juniores. Os substantivos terminados em –s só recebem –es se forem oxítonos ou monossílabos tônicos: gás – gases, freguês – fregueses. Se forem paroxítonos ou proparoxítonos, permanecem invariáveis: o lápis – os lápis, o ônibus – os ônibus.
   D -  Nos substantivos terminados em –l e precedidos de –a, -e, -o ou –u substitui-se o –l por –is: pardal – pardais, anel – anéis. Exceções: mal – males, cônsul – cônsules. Nos substantivos oxítonos terminados em –il, troca-se o –l por –is: fuzil – fuzis, canil – canis, barril – barris.

Observações:
     Quando são paroxítonos, muda-se o –il para –eis: réptil – répteis, fóssil – fósseis, projétil – projéteis.
     Em alguns substantivos terminados em –ão, acrescenta-se –s: cidadão – cidadãos, cristão – cristãos.
     Em outros substantivos, troca-se –ão por  -ães: charlatão – charlatães, sacristão – sacristães.
     Em outros, ainda troca-se –ão por –ões: verão – verões, vilão – vilões.
     Alguns substantivos terminados em  -ão apresentam mais de uma forma no plural. Nesses casos, a forma terminada em –ões é a mais usada: sultão – sultões, sultãos, sultães/ ancião – anciões, anciãos, anciães.

     E - Nos substantivos terminados em –zito ou –zinho, pluraliza-se o substantivo primitivo, elimina-se o –s e coloca-se o sufixo no plural: balãozinho – balõe(s) + zinhos = balõezinhos.
     F - Os substantivos terminados em –x são invariáveis: o clímax – os clímax, o tórax – os tórax. Exceções: o cálix ou cálice – os cálices.
     G - Nos substantivos terminados em –m, troca-se o –m por –ns: jardim – jardins, atum – atuns.
     H - Há substantivos que se empregam apenas no plural: arredores, bodas, condolências, fezes, núpcias.
     I - Os nomes de letras, de certos números ou nomes próprios de pessoas flexionam-se normalmente.
Eliminaram os quatros da cartela. / Nunca colocava os pingos nos is.
Apreciamos os Andrades pelo talento. 
     J – Há substantivos que mudam o timbre da vogal tônica no plural. Esse fenômeno se chama metafonia. Podem apresentar o tônico fechado no singular e aberto no plural.
caroço (ô) – caroços (ó) / imposto (ô) – impostos (ó) / forno (ô) – fornos (ó)
     K – Há substantivos cuja vogal o tônica se mantém fechada no singular e no plural: rosto – rostos (ô) / gosto – gostos (ô) / sogro – sogros (ô)
     L - Existem substantivos que mudam de sentido quando usados no plural:
féria (remuneração) – férias (período de descanso)

Plural dos substantivos compostos:
     A - Se não houver hífen, os substantivos compostos flexionam-se como substantivos simples: girassol – girassóis, malmequer – malmequeres.
     B – Pluralizam-se as partes dos substantivos compostos formadas por palavras variáveis (substantivos, adjetivos e numerais ordinais), e não se flexionam as partes formadas por palavras invariáveis (verbos e advérbios), nem os prefixos que formam o substantivo composto ligado por hífen.
couves-flores (substantivo – substantivo)
quintas-feiras (numeral ordinal – substantivo)
guardas-civis (substantivo – adjetivo)
guarda-costas (verbo – substantivo)
sempre-vivas (advérbio – adjetivo)
ex-alunos (prefixo – substantivo)
     C – Quando as palavras que compõem o substantivo composto vierem ligadas por preposição (de, do, sem etc.), pluraliza-se somente a primeira palavra:
canas-de-açúcar
águas-de-colônia
pés-de-meia
     D – Quando o substantivo composto é formado por palavras repetidas ou por onomatopeias, pluraliza-se somente a segunda palavra: reco-recos, tique-taques, bem-te-vis.
Observações:
     Há substantivos compostos que já têm a segunda palavra no plural: o saca-rolhas – os saca-rolhas.
     Nos substantivos compostos de verbos com sentidos contrários, nenhuma palavra se flexiona: os perde-ganha.
     Certos substantivos compostos apresentam mais de uma forma no plural: guardas-marinha ou guardas-marinhas ou guarda-marinhas / padre-nossos ou padres-nossos / salários-família ou salários-famílias.
     Há substantivos compostos que não variam no plural: os arco-íris, os louva-a-deus.   
     Flexiona-se só o primeiro elemento do substantivo composto, mas admite-se pluralizar ambos, quando o segundo expressa semelhança, finalidade ou limita o primeiro. Nesse caso, o substantivo composto é formado por dois substantivos: peixes-espada ou peixes-espadas / papéis-moeda ou papéis-moedas

     FLEXÃO DE GRAU

     Os substantivos podem ser flexionados quanto ao grau, expressando aumento ou diminuição.
     A ideia de aumento ou diminuição pode ser expressa de uma forma sintética ou de uma forma analítica.
     Para a forma sintética, basta acrescentar um sufixo aumentativo ou diminutivo ao substantivo: mãozona – mãozinha / homenzarrão – homenzinho.
     Para a forma analítica, emprega-se uma palavra (adjetivo) que dá a ideia de aumento ou de diminuição junto ao substantivo: mesa grande – mesa enorme / quarto pequeno – quarto minúsculo.

Observações:
     Em geral, faz-se o aumentativo sintético com os sufixos –ão ou –zão: dentão, pezão.
     E o diminutivo sintético, com os sufixos –inho ou –zinho: dentinho, pezinho.
     Há outros sufixos usados na formação do aumentativo (copázio, balaço, festança, cabeçorra) e do diminutivo (ruela, vilarejo, riacho).
     Certos sufixos indicativos de aumentativo ou diminutivo expressam, às vezes, um sentido depreciativo ou pejorativo, de grosseria ou de zombaria: beiçorra, orelhudo, jornaleco, gentinha.
     Há alguns sufixos indicativos de diminutivo que podem acrescentar ao substantivo uma ideia de carinho, de ternura: filhinho, docinho, coraçãozinho.
     Há substantivos que perderam o sentido gradativo de aumento ou de diminuição: cartão, portão, folhinha (calendário).
     

     

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